O tiroteio no Centro Federal de Educação Tecnológica em Maracanã ou mais conhecido como massacre de Maracanã foi um tiroteio escolar ocorrido em 28 de novembro de 2025. O ex-funcionário, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, de 47 anos, matou a tiros duas funcionárias e colegas antes de se matar. O ataque se tornou o massacre em escola mais mortal do Brasil no ano de 2025, superando o tiroteio na Escola Estadual Professor Luiz Felipe. O ataque também ser tornou o segundo assassinato em massa em local de trabalho mais letal no Brasil na categoria em uma instituição educacional superada pelo massacre de Janaúba.

Ataque De acordo com relatos, o ex-funcionário, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, 47, chegou ao Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca, localizado no Maracanã, cidade do Rio de Janeiro. E a tarde, João se dirigiu à sala da Diace, por volta das 15h50, onde iniciou disparos contra a primeira funcionária. Ele utilizou uma pistola Glock .380 no ataque. João invadiu uma sala, atingiu Allane, que foi atingida duas vezes e morreu na hora. Antônio saiu e foi a uma segunda sala onde tentou encontrar a professora Dayse, mas não conseguiu entrar, pois um funcionário imediu sua entrada. Em seguida foi para a sala da Diape e atingiu dois tiros a psicóloga Layse, antes de se esconder em uma terceira sala, onde tirou a própria vida. Durante os disparos, o estudante Jonathan relatou à imprensa sobre o ocorrido: "Eu estava numa aula de reforço e do nada eu escutei uns quatro barulhos, por aí. Só que eu não botei fé que era tiro. Aí, chegou uma pessoa desesperada falando que uma mulher do outro departamento tinha sido baleada. E aí começou o desespero total." Estudantes e funcionários das salas de aulas, ao escutar os disparos, barricaram as salas com cadeiras. Quando Antônio atirou em si mesmo, os sobreviventes saíram e se depararam com a cena. Um dos professores que barricaram uma das salas continuou dando aula normalmente. Quando as autoridades chegaram ao local, eles fizeram buscas, encontraram duas funcionárias feridas e elas foram socorridas e levadas às pressas para o hospital. Depois encontraram o corpo de Antônio; ele havia disparado em si mesmo. Dayse Haime Pastore, a diretora de ensino da instituição, que era alvo de Antônio, conseguiu se esconder em uma sala e sobreviver.

Vítimas Três pessoas tiveram ferimentos de disparos de armas de fogo; duas mulheres, que são funcionárias da instituição, e o atirador morreram. Ninguém ficou ferido. A técnica administrativa, Allane de Souza Pedrotti, 41, foi atingida na nuca e ombro e levada em estado grave para o Hospital Municipal Souza Aguiar. Mas chegou já morta ao estabelecimento. Além de Souza, a psicóloga Layse Costa Pinheiro, 40, foi levada gravemente ferida na cabeça e tórax ao mesmo hospital, mas acabou não resistindo. Ela chegou a falecer por volta das 17h50. O atirador, João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, 47, disparou contra si mesmo e morreu no local. Ele disparou contra a própria cabeça.

Perpetrador O atirador foi identificado como João Antônio Miranda Tello Ramos Gonçalves, na época do ataque, tendo 47 anos. Um ex-funcionário da instituição estava sendo afastado constantemente. As licenças eram um motivo de rivalidade de João com as duas vítimas fatais. João apresentava desconforto com as duas mulheres sendo as chefes; ele tinha histórico de problemas mentais e, ao retornar à instituição, foi trocado de setor e arrumou confronto, sendo trocado para o setor de pedagogia. Uma funcionária da instituição afirmou que João não aceitava opiniões contrárias e perseguia seus próprios colegas de trabalho. Seu ódio se estendia a duas funcionárias da instituição e João Antônio já falou para a testemunha que o irmão se matou com um tiro na cabeça e que faria o mesmo ato. Ele havia chegado na instituição em 2019 e havia sido exonerado no ano seguinte. Recentemente ele foi afastado por 60 dias após ser diagnosticado com problemas mentais. Testemunhas afirmaram que João queria estar no mesmo setor de Souza. João já chegou com uma ação judicial contra a União por indenização de assédio moral. Três dias antes do ataque, a justiça encerrou o processo e não julgou o mérito por saber que a instituição tem autonomia administrativa e a União não deveria fazer parte da ação. Ele já havia se separado e não tinha filhos; de acordo com colegas, ele era ameaçador e se demonstrava autoritário.

Consequências No dia do ataque, o Centro Federal de Educação Tecnológica (Cefet) Celso Suckow da Fonseca decretou cinco dias de luto após o ataque. Além do luto, as aulas da noite na instituição foram canceladas. Até o dia 1° a 5 de dezembro, as atividades administrativas da instituição continuarão de forma remota. As duas vítimas fatais serão veladas no dia 30. Souza será velada no Cemitério Jardim da Saudade, em Paciência, também na capital. A cerimônia da primeira vítima será de 12h a 15h. A segunda vítima, Costa, será velada no Cemitério São João Batista, Capela Real Grandeza; a cerimônia ocorrerá de 12h15 até 15h50. Durante as investigações, as autoridades confirmam que o ataque foi motivado por misoginia, além de também não aceitar a liderança feminina. Classificando o ataque como feminicídio e homicídio motivado pela condição do gênero.

Reações O ministro da Educação, Camilo Santana, foi o primeiro a se pronunciar e respondeu no X (antigo Twitter): "Minha solidariedade a toda a comunidade do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet-RJ), do Rio de Janeiro, cenário da tragédia que culminou na morte de três servidores da instituição na tarde de hoje". A Universidade Federal do Pará (UFPA) emitiu uma nota em condolências às vítimas, postando: "Universidade Federal do Pará manifesta solidariedade à comunidade do Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) diante do episódio de violência registrado nessa sexta-feira, 28 de novembro, e lamenta a perda irreparável das duas servidoras vitimadas". O líder do partido PL, Sóstenes Cavalcante, comentou no X (Twitter): "Lamentável o que aconteceu hoje no Cetef-RJ. Quando a escuridão toca nossas escolas, percebemos o quanto o Brasil precisa de luz, equilíbrio e proteção", ele enviou condolências aos familiares das vítimas." A ministra da Igualdade Anielle Franco comentou em suas redes sociais: "Toda solidariedade e afeto às famílias das servidoras assassinadas hoje à tarde no CEFET Maracanã. Meu carinho, acolhimento e abraço a toda comunidade acadêmica desse espaço que também me formou." A deputada federal Talíria Petrone (PSOL) também reagiu depois do ataque e postou: "Com muita tristeza, quero prestar toda minha solidariedade às famílias, estudantes e trabalhadoras e trabalhadores do CEFET do Maracanã. Uma dor irreparável que atingiu a comunidade acadêmica. Duas funcionárias, duas mulheres assassinadas. Não podemos naturalizar e aceitar..."

Ver também Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca - Instituição onde ocorreu o ataque Massacre de Realengo - Outro tiroteio em escola que também foi considerado feminicídio Tiroteio na Escola Estadual Professor Luiz Felipe - Outro tiroteio escolar ocorrido no mesmo ano, em Sobral, Ceará Tiroteio de 2025 na Universidade Estadual da Paraíba - Outro tiroteio escolar ocorrido no mesmo ano, em Campina Grande, Paraíba Ataque na escola de Estação - Outro ataque em escolas ocorrido no mesmo ano, em Estação, Rio Grande do Sul Massacre de Janaúba - Outro ataque em escola cometido por um funcionário da instituição Lista de ataques e invasões escolares no Brasil

Referências