A história da música no Distrito Federal se inicia já no período anterior a fundação da capital, quando a cidade estava em construção. Conhecida nacionalmente como a "capital do rock nacional", a cidade ganhou notoriedade por revelar algumas das principais bandas de rock do país. Brasília foi inaugurada em 21 de abril de 1960, e a criação da nova capital atraiu um êxodo de pessoas que migraram de diferentes partes do país. Ainda no período da construção da cidade, já era possível verificar a presença musical no local da futura capital. Juscelino Kubitschek, presidente em exercício durante a construção, era simpatizante de música, e gostava de estar cercado de músicos, além de aulas de violão. Durante a inauguração do Catetinho, Juscelino comemorou com os presentes, e após o jantar, realizaram uma seresta na qual cantaram Peixe Vivo, canção folclórica ao qual o presidente gostava, e Exaltação a Brasília, canção de Dilermando Reis. Durante o período de discussões políticas relacionadas a construção de Brasília, diferentes artistas se utilizaram da música para protestar contra a mudança da capital para o interior do Brasil. Em setembro de 1955, o Trio da Amizade, composto por Zé Micuim, Goiazinho e Goiá, lançaram uma guarânia chamada “Brasília”, na qual diz que "Um dia, um engenheiro teve um grande ideal, trazer para o planalto a capital federal, em referência a Coimbra Bueno, que liderava no senado as tratativas para a mudança da capital. Em 1957, Linda Batista lança a marchinha de carnaval escrita por Aldacir Louro, Sebastião Mota e Edgard Cavalcanti, que critica a possibilidade do carnaval também ser transferido do Rio de Janeiro para Brasília. A transferência também foi criticada por Nelson Gonçalves no samba "Vou pra Goiás", por Joel de Almeida no samba "Isso não se faz", pelo grupo Os Cariocas no samba "Não vou pra Brasília", e por Jorge Veiga no samba "Vamos pra Brasília". Em 1958, Oscar Niemeyer idealizou um espetáculo com sons e luzes para a inauguração de Brasília em 1960, que contaria com um poema sinfônico. Tom Jobim e Vinicius de Moraes começaram a composição naquele mesmo ano, que recebeu o nome de Brasília: Sinfonia da Alvorada. No entanto, em 1959, Tom ficou magoado com as insinuações de que o trabalho seria uma encomenda de Juscelino. Vinicius e Tom visitaram as obras em setembro de 1959, ficando 10 dias hospedados no Catetinho. No período na cidade, compuseram a canção Água de Beber, sendo a primeira audição da música ocorrendo no Brasília Palace Hotel. Inicialmente a apresentação foi agendada para o dia da inauguração de Brasília, porém foi adiada para 7 de setembro, e acabou não se concretizando por despesas financeiras. O poema foi gravado em 1961 e apresentado ao público primeira vez em 1966, na TV Excelsior.

Influência estudantil

Universidade de Brasília

Com a fundação da Universidade de Brasília em 1962, Claudio Santoro foi convidado por Darcy Ribeiro para assumir como coordenador para assuntos de música na universidade. A convite de Santoro, diferentes músicos e maestros foram para Brasília, para a formação do Departamento de Música da Universidade de Brasília, vinculado ao Instituto Central de Artes em 1964. Com o golpe de estado de 1964 e a instauração do regime militar no Brasil, 223 dos 305 professores da UnB pediram demissão de seus cargos. Trinta e cinco professores ligados ao ICA, incluindo o seu coordenador, Alcides Áquila da Rocha Miranda, e o próprio Santoro, pediram demissão de seus cargos. Como reiterou Roberto Salmeron, Santoro "sabia que ia ficar sem emprego, com consequências graves para a sua família e para a sua vida profissional, mas com grande dignidade não hesitou". Em 1971, o Departamento de Música passou a integrar o Instituto de Comunicação e Expressão, sendo transferido para o Instituto de Artes em 1989, quando o mesmo foi criado.

Festivais estudantis de música Com a expansão da presença musical na década de 1960, diferentes colégios de ensino médio, como o Elefante Branco, fundado em 1961, passaram a organizar festivais de música, e a atrair um público mais jovem, em especial daqueles eram filhos de pais que emigraram para Brasília nas primeiras duas décadas de formação, sendo alguns desses filhos de diplomatas, de professores da UnB e de servidores públicos.

Escola de Música de Brasília

Em 1957, Levino Ferreira de Alcântara, que na ocasião residia em Anápolis, foi convidado para apresentar um coral para os moradores da Cidade Livre, local criado para receber trabalhadores durante a construção de Brasília. Emigrou para Brasília na década de 1960, exercendo a função de professor de música no Caseb, Cemab, Centro de Ensino Médio de Taguatinga e Elefante Branco, sendo ainda responsável pela criação da orquestra no Centro de Ensino Médio Ave Branca e do Centro de Estudos Musicais Villa-Lobos. Com base nos projetos anteriores, Levino fundou em 1964 a Escola de Música de Brasília, que recebeu sua sede definitiva em 11 de março de 1974, localizada na 602 Sul. Pela conservatória, passaram diferentes artistas como Ney Matogrosso, Cássia Eller, Hamilton de Holanda, Zélia Duncan e Lula Galvão.

Choro em Brasília

O choro já estava presente no início da história de Brasília, com a presença de Dilermando Reis, músico e amigo do presidente Kubitschek. Em 1959, Inácio Pinheiro Sobrinho, mais conhecido como Pernambuco do Pandeiro, músico pernambucano radicado no Rio de Janeiro, veio a convite de Juscelino para compor a Rádio Nacional, porém sem muito sucesso na empreitada, foi trabalhar na Novacap. Penambuco já havia tocado anteriormente com Carmen Miranda. Durante as décadas de 1960 e 1970, diferentes rodas de choros se formaram em Brasília, incentivadas pela presença de Jacob do Bandolim na cidade. Jacob veio realizar um tratamento para coluna cervical no Hospital de Base, sob influência dos músicos Arnoldo Velloso, médico do hospital e bandolinista, e Six, que o convenceram a virem a Brasília, e após o tratamento, permaneceu na cidade por oito meses na residência de Arnoldo. Em 1977, um grupo de 23 pessoas, dentre elas, Pernambuco, Arnoldo, Six, Bide da Flauta, Tio João, Hamilton Costa, Nivaldo da Flauta, Lício da Flauta e Miudinho, se reuniram na casa de Odette Ernest Dias para formar o Clube de Choro de Brasília.

A Capital do Rock Nacional

Década de 1960: Primeiras bandas no Distrito Federal Os primeiros anos do rock em Brasília foi marcado por uma influência da Jovem Guarda e de bandas britânicas, como os Beatles e os Rolling Stones. Dentre as primeiras bandas de Rock no Distrito Federal, incluem-se: Os Reges, Os Infernais, The Good Boys, Os Primitivos, Os Geniais, Os Quadradões, The Golden Stones, Os Fantásticos e Matuskela. Em 1964, Eldir Coelho, Lincoln Carvalho, Niepce Storni, George Delanou e Carlos Cesar formaram a banda Os Infernais, que participou de diferentes programas na TV Nacional e na TV Brasília. O primeiro show da banda ocorreu em 1966, no Brasília Palace Hotel. A banda encerrou às atividades em 1967, após a gravação de um compacto, retornando brevemente em 1992. Delanou ainda participaria, juntamente com Everardo Correia, Carlos Alberto, Edson Sampaio, Luizinho e Armandinho, da banda Os Primitivos, formada em 1966. Os integrantes se reuniam para ensaiar no apartamento do pai de Armandinho na SQS 107. A banda participou de alguns programas de televisão no Rio de Janeiro, como o Símbolo, da TV Rio, I Love Lúcio, da TV Tupi, e o do Chacrinha, na TV Globo, e gravaram um LP denominado “Os Primitivos no Iê, Iê, Iê”, porém encerrando suas atividades em 1969.

Turma da Colina

Diferentes músicos frequentaram a UnB, e fizeram dela um espaço de convívio e formação de bandas. Durante as décadas de 1970 e 80, um grupo de jovens passou a frequentar a Colina, um conjunto habitacional projetado por João Filgueiras Lima e localizado no Campus Darcy Ribeiro da Universidade de Brasília, na qual é cedido como moradia para professores e funcionários da UnB. Com influência do rock e do punk, principalmente Sex Pistols e The Clash. Diferentes bandas de Brasília surgiram no contexto da Turma da Colina, como ficou conhecido esse grupo de jovens. Os irmãos Felipe e Flávio Lemos se mudaram com os pais à Brasília em 1978, depois de morarem um ano em Leicester, na Inglaterra. Felipe conheceu Renato Russo e André Pretorius naquele ano, e formaram embaixo dos blocos da Colina a banda Aborto Elétrico. A primeira música composta pelo Aborto foi composta por Renato e se denominava "I Want to Be a Junkie", e o primeiro show ocorreu em 11 de janeiro de 1980, em um bar denominado "Só Cana", no Centro Comercial Gilberto Salomão. Esse foi o único show de Pretorius com o Aborto Elétrico, considerando que retornou à África do Sul para servir o exército. Com a saída dele, o Renato assumiu a guitarra, e o Flavio assumiu o baixo. Os integrantes do Aborto fizeram parte de um grupo denominado "A Turma", e que contava com integrantes de outras bandas, como Philippe Seabra, Gutje Woorthmann, André Mueller e Jander Bilaphra, integrantes da Plebe Rude, Dinho Ouro Preto, Herbert Vianna, Bi Ribeiro, entre outros, e se reuniam na Colina, e em outros bares na cidade. Diferentes bandas de rock recém formadas no período se apresentavam na 110/11 Sul, próximo ao Cine Karim, fundado em 1969, e de uma lanchonete denominada "Food’s". O Aborto teve seu encerramento em março de 1982. Seis meses depois, Fê, Flávio e Dinho Ouro Preto, formam a banda Capital Inicial. Já Renato iniciou a sua fase que o mesmo denomina de "O Trovador Solitário". No mesmo ano, Renato formou a Legião Urbana juntamente com Eduardo Paraná, Marcelo Bonfá e Paulo Paulista.

Referências

Bibliografia Marcelo, Carlos (2012). Renato Russo: o Filho da Revolução. Rio de Janeiro: Agir. ISBN 978-85-22013-77-7