A 99 anunciou nesta quinta-feira (15) que alcançou a marca de 100 mil carros elétricos cadastrados em sua plataforma . O número acompanha o crescimento dos investimentos da Aliança pela Mobilidade Sustentável, iniciativa fundada pela empresa que já mobilizou R$ 650 milhões em quatro anos, com a participação de companhias como BYD, Santander, Vibra e Movida. Os dados foram apresentados durante o 99Tech Summit, no Rio de Janeiro, pelo diretor de inovação da 99 e fundador da Aliança, Thiago Hipólito. Segundo o executivo, a plataforma tinha apenas 80 carros elétricos cadastrados em 2022. "Esse número aqui está muito além da nossa melhor projeção", afirmou Hipólito, explicando que a meta inicial da companhia era alcançar 10 mil carros elétricos em três anos. A Aliança reúne mais de 30 empresas de diferentes setores, incluindo fabricantes de veículos, instituições financeiras, locadoras e companhias de energia. Em maio, a 99 havia divulgado investimentos acumulados de R$ 410 milhões, o que indica um aumento de R$ 240 milhões no montante informado. A empresa não detalhou, entretanto, quanto dos R$ 650 milhões foi investido diretamente pela 99 e quanto veio das demais companhias participantes. Segundo Hipólito, os veículos elétricos cadastrados já realizaram mais de 100 milhões de viagens, evitando a emissão estimada de 108 mil toneladas de CO2. A companhia ainda não esclareceu se o número de 100 mil carros considera exclusivamente modelos 100% elétricos ou também inclui híbridos. Por que a 99 e a BYD apostam nos carros elétricos? A expansão da frota representa oportunidades de negócio para as duas empresas, que atuam em etapas diferentes do mercado de mobilidade. Para a BYD, os motoristas de aplicativo representam um público com alta utilização dos veículos , capaz de ampliar a demanda por modelos elétricos. Já para a 99, a eletrificação pode reduzir despesas dos motoristas e ajudar a aumentar sua permanência na plataforma. As empresas já mantêm parcerias para facilitar a aquisição e locação de automóveis elétricos, com condições comerciais específicas para motoristas cadastrados. Durante o evento, Alexandre Aquino, diretor de Produto da BYD Brasil, destacou a importância da escala industrial para a estratégia da fabricante, especialmente diante da chegada de novas montadoras chinesas ao país. "A escala leva ao custo mais baixo, que leva a um posicionamento de preço favorável", afirmou Aquino ao ser questionado sobre o aumento da concorrência no mercado brasileiro. A BYD anunciou investimentos de R$ 5,5 bilhões no complexo industrial de Camaçari (BA), onde produz veículos elétricos e híbridos. A fábrica tem capacidade projetada de até 600 mil automóveis por ano após a conclusão de todas as etapas de expansão. O valor destinado à unidade baiana é independente dos R$ 650 milhões apresentados pela Aliança da 99. Carro elétrico realmente compensa para os motoristas? Uma das principais justificativas econômicas para a eletrificação é a redução das despesas com abastecimento e manutenção . Durante a apresentação, a BYD comparou os custos de utilização de um hatch compacto a combustão com os do elétrico Dolphin Mini, considerando 60 mil quilômetros percorridos ao longo de três anos. Segundo a simulação da fabricante, os gastos com manutenção seriam de R$ 5.980 no veículo convencional, contra R$ 1.947 no elétrico, uma diferença de aproximadamente 67%. Nos custos de abastecimento, a diferença seria ainda maior. Enquanto o carro a gasolina teria despesas estimadas em R$ 31.920, o modelo elétrico consumiria R$ 6.290 em energia, cerca de 80% menos. Ao incluir benefícios tributários, a BYD calcula uma economia superior a R$ 46 mil no período. Entretanto, essa comparação não considera o preço de aquisição dos veículos , financiamento, seguro, depreciação ou eventuais despesas com a instalação de carregadores. A conta também pressupõe isenção de IPVA para o elétrico, benefício que depende da legislação local. Os desafios para expandir a eletrificação no Brasil Apesar do avanço dos automóveis, a 99 reconhece que a adoção de motocicletas e bicicletas elétricas tem ocorrido mais lentamente do que o previsto. Hipólito afirmou que a companhia esperava um crescimento mais rápido desses segmentos, principalmente pelo menor preço de aquisição em comparação com os carros. "A gente imaginou no início que a escalabilidade seria muito mais rápida do que carro. E a gente errou redondamente", disse. Segundo o executivo, uma das principais dificuldades foi encontrar motocicletas elétricas adaptadas às condições brasileiras. Ele citou, como exemplo, a necessidade de desenvolver modelos capazes de transportar duas pessoas nas subidas de São Paulo. A 99 trabalha com empresas chinesas e locadoras brasileiras no desenvolvimento de uma motocicleta elétrica específica para esse mercado, mas ainda não revelou o fabricante, o estágio do projeto ou uma previsão de lançamento. Hipólito também afirmou que a companhia está apoiando a entrada da chinesa Yadea , fabricante de motos elétricas, no Brasil. Os detalhes dessa participação não foram divulgados. Outro desafio está na infraestrutura de recarga. A BYD informou ter mais de 170 carregadores rápidos em suas concessionárias brasileiras, enquanto a Aliança pretende ampliar os esforços voltados ao setor energético. O objetivo é acompanhar o crescimento da frota com uma rede de carregamento capaz de atender motoristas que utilizam os veículos diariamente para trabalhar. Veja também: Como a 99 calcula o preço das corridas e escolhe motoristas






