O sector da construção naval em Portugal tem uma longa tradição. A construção naval esteve no centro da indústria portuguesa a partir de finais do século XV e inícios do século seguinte. O mais famoso estaleiro naval em Portugal foi o Estaleiro da Ribeira das Naus, que funcionou desde a Idade Média e foi desactivado em 1938 com a criação do Arsenal do Alfeite. Até ao séc. XVIII, os navios portugueses eram construídos segundo uma "escola nacional", embora os armadores seguissem genericamente o que se fazia nos outros países europeus. No âmbito da sua política de atrair a Portugal técnicos estrangeiros para manter o país actualizado com os progresso técnico da época, D. João V contratou construtores navais estrangeiros e adquiriu muitos livros acerca de construção naval. A partir de então passaram vários franceses, ingleses e holandeses pelos estaleiros reais, que introduziram diversas técnicas novas em Portugal. Em 1740 o responsável pelo lançamento de navios na Ribeira das Naus, e mais tarde no Arsenal de Lisboa, é Manuel Vicente Nunes, certamente já seguidor dos princípios de construção naval inglesa. A vida útil dos navios passou, assim, de 10 a 15 anos para mais de 40. Na segunda metade do séc. XVIII, quase 70% das naus e fragatas portuguesas saíram da Ribeira das Naus, no entanto haviam outros estaleiros no pais. No Porto, funcionou a Ribeira do Ouro desde pelo menos o séc. XVI a construir galeões. Ali foram lançados os últimos galeões, em 1676. A construção de navios de guerra na Ribeira do Ouro continuou até as suas oficinas e armazéns terem passado para o exército em finais do séc. XVIII. Vila do Conde é uma cidade com uma antiga e especial ligação à construção naval e os seus estaleiros, hoje situados na margem esquerda do rio Ave, em Azurara, são os maiores em Portugal dedicados à construção e reparação de barcos de madeira e um dos maiores da Europa. Em 1944 foi fundada a Estaleiros Navais do Mondego S.A, na Figueira da Foz, junto à foz do Rio Mondego e do Porto Comercial e durante a década de 1950 foram o maior construtor nacional de barcos de pesca, tendo também construído nessa década um navio patrulha para a Marinha Portuguesa, 3 navios mercantes destinados a um armador holandês e 2 petroleiros para a Shell. Os estaleiros foram adquiridos pela espanhola Contsa em 2006 à Fundação Bissaya Barreto pelo preço simbólico de um euro, assumindo o passivo da companhia naval mas entraram em insolvência e encerraram em 2011. Os estaleiros foram posteriormente adquiridos pela empresa timorense Atlantic Eagle Shipbuilding detida a 95% pelo estado timorense, sendo este o primeiro grande investimento de Timor-Leste noutro país mas o trabalho paralisou em 2023. Portugal conta actualmente com 95 empresas de "construção de embarcações e estruturas flutuantes, excepto de recreio e desporto", e 76 empresas de "construção de embarcações de recreio e de desporto".

Lista de construtores navais em Portugal

Em 2026, Portugal dispunha de 696 empresas de construção naval. Destas, 143 concentram-se no distrito de Setúbal, seguidas por 140 no distrito de Lisboa. O distrito de Faro conta com 125. Estes três distritos contabilizam 59% do mercado da construção naval em Portugal. As 50 maiores empresas de construção naval em Portugal em 2026 são:

LISNAVE – ESTALEIROS NAVAIS, S.A. Setúbal. M.A.R.- KAYAKS, LDA Vila do Conde. SOCIEDADE DE PESCA MIRADOURO, S.A. Ílhavo. VIANADECON – CONSTRUÇÃO NAVAL, S.A. Viana do Castelo. COMPOSITE SOLUTIONS, LDA Vagos. SADONAVAL – ESTALEIROS NAVAIS DO SADO, LDA – EM LIQUIDAÇÃO Setúbal. MUDISEDE II – REPARAÇÃO NAVAL E CIVIL, UNIPESSOAL, LDA Palmela. NAVALTAGUS – REPARAÇÃO E CONSTRUÇÃO NAVAL, S.A. Seixal. Z-WORK – CONSTRUÇÃO E CARPINTARIA, LDA Lousada. SICNAVE – INDÚSTRIA DE CONSTRUÇÃO E REPARAÇÃO NAVAL, LDA Vila do Conde. JOSÉ GONÇALVES CERQUEIRA (NAVEL – AÇORES), LDA Ponta Delgada. JOLUFESI – SISTEMAS INDUSTRIAIS, LDA Elvas. E-QUALE (PORTUGAL), LDA – EM LIQUIDAÇÃO Barreiro. BARCOESTE – FABRICA DE ARTIGOS DE BORRACHA, LDA Sobral de Monte Agraço. SUN CONCEPT, LDA Olhão. PENIMAR – REPARAÇÃO E CONSTRUÇÃO NAVAL, LDA Peniche. MOTA-ENGIL- ENGENHARIA E CONSTRUÇÃO, S.A. Amarante. MTY SERVICE, LDA Loulé. THUNNUS THYNNUS – PESCAS, S.A. Angra do Heroísmo. MONTE SERANTES – TRANSPORTES MARÍTIMOS, UNIPESSOAL, LDA (ZONA FRANCA DA MADEIRA) Funchal. LISNAVEYARDS – NAVAL SERVICES, LDA Setúbal. MARINAS DE BARLAVENTO – EMPREENDIMENTOS TURÍSTICOS, S.A. Portimao. MECREN, LDA Beja. PARREIRA AZOR, LDA Ribeira Grande. ENGIBRI, LDA Resende. KBAJOB – CONSULTORIA E GESTÃO, SOCIEDADE UNIPESSOAL, LDA Leiria. CONDECOATING – TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES NAVAIS E INDUSTRIAIS, LDA Palmela. MOREIRA JÚNIOR, UNIPESSOAL, LDA Viana do Castelo. VANGUARD MARINE, LDA Vieira do Minho. BOATCENTER – SERVIÇOS E ACTIVIDADES NÁUTICAS, S.A. Setúbal. MAISAMPLO – MANUTENÇÃO INDUSTRIAL E SERVIÇOS, UNIPESSOAL, LDA – EM LIQUIDAÇÃO Beja. NAVALPORT YARDS – CONSTRUÇÃO NAVAL, UNIPESSOAL, LDA Viana do Castelo. METALREFORCE, LDA Coimbra. RIM – ENGENHARIA E CONSTRUÇÕES, S.A. Funchal. PALOMITAL – METALOMECÂNICA, LDA Setúbal. WEST SEA – ESTALEIROS NAVAIS, UNIPESSOAL, LDA Viana do Castelo. NAVITRAT – TRATAMENTO DE SUPERFÍCIES ANTICORROSIVOS, LDA Almada. KYARA MARINE INTERNACIONAL, LDA Seixal. QUICK SCORE METALOMECÂNICA E CONSTRUÇÃO CIVIL, UNIPESSOAL, LDA Seixal. NAVALGRUPO – REPARAÇÃO NAVAL E INDUSTRIAL, S.A. Seixal. OCEAN HORSE – OPERAÇÕES MARÍTIMAS E PORTUÁRIAS, S.A. Lisboa. ARSENAL DO ALFEITE, S.A. Almada. METALÚRGICA CENTRAL DE ALHOS VEDROS, LDA Moita. VÁRZEAMAR – ACTIVIDADES MARÍTIMO-TURÍSTICAS, S.A. Albufeira. ESTALEIROS NAVAIS DE PENICHE, S.A. Peniche. INATEC – INDÚSTRIA NAVAL TÉCNICA, LDA Lisboa. SOPROMAR – CENTRO NAÚTICO, LDA Lagos. PALCLE – SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO, LDA Barreiro. NÉLIA SOUSA, UNIPESSOAL, LDA Mealhada. NAVALRIA – DOCAS, CONSTRUÇÕES E REPARAÇÕES NAVAIS, S.A. Aveiro.

Ver também Economia de Portugal Marinha Portuguesa Construção naval Lisnave Estaleiros Navais de Viana do Castelo

Referências